Xanana, o herói desconhecido

Em 2003, estava no Record há meses quando chegou a notícia da morte de Vasques, um dos famosos cinco violinos do Sporting. Sofri um duplo choque, pois percebi que alguns jornalistas não sabiam quem tinha sido o futebolista e outros não percebiam porque se emocionavam tanto aqueles que sentiam o seu desaparecimento. Bem faz Nuno Gomes em preocupar-se por muitos miúdos da Academia do Benfica desconhecerem quem é Fernando Chalana, o eterno – julgamos nós – pequeno genial. A memória, mesmo a mais recente, perde-se com uma rapidez chocante e injusta.
 
Comprovei isso há dias, na transmissão do Benfica-V. Guimarães da final da Taça de Portugal, quando a presença de Xanana Gusmão no Jamor passou ao lado da realização, tendo a mais popular figura da luta de libertação do povo timorense sido apanhada pelas câmaras – e de costas! – quando cirandava pela tribuna a gravar no telemóvel a festa benfiquista. Festa a que se associaria o narrador – da SportTV, creio – que aproveitou as fugazes imagens de Xanana para salientar que os jogadores acediam à vontade dos adeptos (!) em fotografá-los. É triste, dói até, ver como uma lenda da nossa vida coletiva é tratada pelos profissionais da ignorância e da desmemória. 
Observador, Sábado, 8JUN17
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