Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Você?!… Teme-se o pior para a Seleção

Sou um simples espectador do fenómeno porque não acompanhei a Seleção na sua fase de preparação. Mas calculo que a ideia com que fiquei seja a mesma que os leitores terão: houve talvez festa a mais e suor e concentração a menos.

É verdade que o trabalho do corpo técnico não era “preparar” a equipa no sentido habitual do termo. Mais que “preparados” estão os jogadores, sendo a recuperação dos índices físicos e mentais a tarefa principal a desenvolver, importante porque a época foi longa – Cristiano, por exemplo, leva mais de 70 (!) jogos disputados – e os resultados dos desafios de preparação nada ajudaram no reforço dos níveis de confiança.

Mas a visita à Fundação Champalimaud, que boa parte da comitiva nem faria ideia de quem foi, e a patética receção em Belém, com o capitão do que mais parecia ser um grupo excursionista a tratar o Presidente da República por “você”, não serviram para restaurar a confiança dos portugueses na Seleção.

Ao contrário, deixaram-nos ainda mais receosos por tudo o que está para vir. Só um milagre nos poderá safar. Oremos.

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 5 junho 2012

Nota – Já tarde da noite, revi as imagens do “você” e verifiquei que Cavaco Silva respondeu à letra a Cristiano Ronaldo: “Obrigadinho”… Ah, atão tá bem!

Sou um simples espectador do fenómeno porque não acompanhei a Seleção na sua fase de preparação. Mas calculo que a ideia com que fiquei seja a mesma que os leitores terão: houve talvez festa a mais e suor e concentração a menos.
É verdade que o trabalho do corpo técnico não era “preparar” a equipa no sentido habitual do termo. Mais que “preparados” estão os jogadores, sendo a recuperação dos índices físicos e mentais a tarefa principal a desenvolver, importante porque a época foi longa – Cristiano, por exemplo, leva mais de 70 (!) jogos disputados – e os resultados dos desafios de preparação nada ajudaram no reforço dos níveis de confiança.
Mas a visita à Fundação Champalimaud, que boa parte da comitiva nem faria ideia de quem foi, e a patética receção em Belém, com o capitão do que mais parecia ser um grupo excursionista a tratar o Presidente da República por “você”, não serviram para restaurar a confiança dos portugueses na Seleção. Ao contrário, deixaram-nos ainda mais receosos por tudo o que está para vir. Só um milagre nos safará desta. Oremos.