Vieira da Silva? Tomara que não caia

Após duas horas e tal de esclarecimentos na Assembleia da República, na segunda-feira, Vieira da Silva e eu – já explicarei porquê – respirámos de alívio: a modéstia da intervenção do PSD e o exagero da interpelação do CDS permitiu-nos sair vivos de S. Bento.
Mal refeitos do stress da tarde, caiu a noite com José Miguel Júdice a citar uma conversa com Santana Lopes para envolver Vieira da Silva num outro suposto caso – o da entrada da Santa Casa da Misericórdia no capital do Montepio, que Santana condicionara, com a bagatela de 200 (!) milhões de euros.
Na altura em que escrevo, não sei se o novo embrulho durará até à noite de Natal, pelo que me fixo apenas no primeiro para reconhecer alguma culpa de Vieira da Silva. Não pondo em causa a sua probidade – pela qual, sem o conhecer sequer, poria as mãos no fogo – creio que se deixou encantar pela magia de uma obra notável e pelo poder de sedução da mulher que a ergueu. E não terá sido por acaso que se pôs o foco nas eventuais aldrabices da vicepresidente, ficando para as calendas as queixas sobre as alegadas irregularidades da líder.
Quanto ao meu apoio ao ministro Vieira da Silva, com o desejo de que não caia, eis a declaração de interesses: reformado desde 2011, recebi há dias, completa pela primeira vez, a prestação mensal a que o Estado se comprometeu comigo. Ah, pois é.
Observador, Sábado, 21DEZ17
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