Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Face oculta: uma sentença pesada se comparada com outras

Está na edição online do CM a notícia da recaptura de um homem que fugiu da prisão e de uma pena de 15 anos por um crime hediondo: o assassínio da filha. E não há dia sem que se apliquem sentenças a violadores, por vezes revoltantemente baixas.

A minha experiência nos tribunais, por supostos abusos de liberdade de imprensa – mesmo que nunca tenha sido condenado – faz-me a compreender o que é a justiça portuguesa: um caleidoscópio de competências e do seu contrário, que deixa entrever traços de raivas, preconceitos e frustrações. Com sorte, encontramos a excelência, se houver azar, estamos tramados.

A televisão teve ontem uma jornada magnífica, com a leitura da sentença do sucateiro e do gangue que o rodearia – o trânsito em julgado o confirmará. Mas sem conhecer o acórdão custa-me a crer que 17 anos e meio para um corrupto não sejam um exagero face às “amabilidades” com crimes de sangue e contra crianças.

Nota – A “Antena paranóica” entra hoje no quinto ano de publicação. Agradeço ao Octávio Ribeiro a confiança e aos leitores a paciência.

Antena paranoica, CM, 6SET14