Uma mentira à venezuelana

Pressinto que José Luís Carneiro seja o secretário de Estado mais popular do Governo. Talvez por ser como aqueles jornalistas que mal se verifica um acidente com duas ou três mortes, ainda que nas Barbados, logo acrescentam não haver portugueses entre as vítimas. Pois o secretário Carneiro não se fia nas notícias e parece até falar-nos do local dos sinistros mal se sabe de um compatriota em apuros – como desgraçadamente sucedeu agora com o incêndio de Londres.

Mas nem tudo são rosas na vida política e há dias, a propósito da tragédia venezuelana, José Luís Carneiro tentou tranquilizar a opinião pública dizendo não existirem motivos “para pânico” e haver condições para garantir “a segurança e o bem-estar” dos nossos emigrantes.

O secretário de Estado navega num equívoco: pensa que nós ou não vemos televisão ou não entendemos nada. Ora, o que se vê da Venezuela é uma situação de pré-guerra civil em que os polícias do regime matam e até já roubam relógios e carteiras à frente das câmaras.

Desse modo, com Maduro e seus comparsas incapazes de garantir o que seja e a completa desregulação social – até que um general pum-pum tome conta da ocorrência – quem der a ideia, como deu Carneiro, que negociou alguma coisa com um poder que cai na rua, pode estar a ser piedoso mas falta à verdade.

Observador, Sábado, 14JUN17

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