Uma liga pouco portuguesa – por José Oliveira

Nos últimos anos, o futebol profissional em Portugal tem vindo a dar cada vez menos oportunidade aos cidadãos do nosso país. E avizinha-se que na próxima época a situação continue, ou até se agrave. As equipas (maioritariamente da primeira liga) preferem apostar em jogadores estrangeiros, principalmente brasileiros e argentinos (ultimamente). Não quero discriminar ninguém pela nacionalidade, contudo não acho de bom-tom discriminarem os portugueses.

Actualmente, nas equipas da Liga Zon Sagres apenas 44% dos jogadores são portugueses, mas nos 4 grandes (Benfica, Porto, Sporting e Braga) apenas 36% o são. No entanto, o número de jogadores nacionais nas equipas será ainda menor quando a época começar e as equipas estiverem formadas (descerá para cerca de 30%). Poderia justificar-se esta escolha se os jogadores estrangeiros fossem realmente melhores, contudo na época de 20102011 o Benfica optou por comprar o guarda-redes Roberto por 8,5€ milhões e optou por não apostar no Eduardo, que se transferiu para o Génova por 4€ milhões. Na presente época o Benfica decidiu emprestar o guardião titular da época passada e o guarda-redes titular da selecção Nacional acabou por se transferir (por empréstimo) para o Benfica. Obviamente, algo não correu bem…

Mas a falta de jogadores Portugueses nas equipas nacionais também não passou ao lado de Michel Platini, que criticou a final da liga Europa, pois nesta, entre o F.C.P. e o S.C.Braga, o jogo teve inicio com apenas 3 portugueses em cada onze. Contudo, foi uma final ‘’portuguesa’’, que terminou com uma vitória do F.C.Porto e com festejos de bandeiras argentinas e brasileiras.

Todavia, todos os treinadores das equipas da liga Zon Sagres são portugueses, o que torna esta situação um pouco irónica. Porque não apostam eles nos jogadores nacionais? Sendo que grande parte das apostas noutros jogadores não tem um resultado significativamente positivo. Será que a competição perdia qualidade? Penso que neste momento é realmente importante rever a lei no que respeita a extracomunitários e a jogadores nacionais.

Uma vez que o futebol é o desporto mais apoiado monetariamente neste país, essa ajuda deveria ser revista, pois os investimentos acabam nos jogadores estrangeiros, principalmente extracomunitários. Acabam os outros desportos como o atletismo, desportos motorizados, surf, hóquei e ate mesmo o futsal, entre outros, por não ir mais alem devido a falta de apoios.

J. Oliveira

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