Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Uma guerra perdida

Já tenho aqui referido a escassez de jornalistas seniores nas redações, ou o seu “aburguesamento”, e o exagerado recurso a estagiários impreparados e de memória curta, chamados à primeira linha depois de lançados às feras sem meios de defesa. Viu-se de novo o resultado dessa realidade quando, num dos nossos canais de TV, se traçou o perfil do desaparecido Adolfo Suárez, o homem que conduziu a Espanha à democracia.

O repórter ignorou, de modo negligente, um momento marcante do percurso do ex-chefe do governo, aquele em que enfrentou, com rara coragem, os golpistas de Tejero Molina que ocuparam, de armas na mão, em 1981, o Congresso de Deputados. A peça de dois minutos foi repetida ao longo do dia, sem que alguém, com mais conhecimento, experiência e talvez pudor, corrigisse, ou mandasse corrigir, o lapso grosseiro.

Por coincidência, na mesma estação, uma reportagem sobre a pobreza, transmitida também “n” vezes esta semana, começava assim: “Passava pouco depois das três da tarde…” Habituemo-nos, a vida é o que é – e acontece que perdemos.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 29MAR14