Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

A careca repelente de um bandido

Não acredito na viabilidade do Brasil com a actual classe política, nem tenho simpatia ou antipatia por Dilma. Mas gostava que ela tivesse conseguido contrariar o início do processo de impeachment. Não antes, mas agora. Ou melhor, depois de ter visto a votação da Câmara dos Deputados, um dos actos ditos democráticos mais nojentos a que pude assistir, eu que me recordo do sequestro popular dos parlamentares portugueses, em São Bento, em 12 de Novembro de 1975, e dos impropérios que tiveram de suportar, à saída, os que não eram comunistas.

Por isso, guardarei até ao fim as imagens não só daqueles que votaram sim em nome das suas extremosas mulheres – quantos terão amantes? – com discursos tão inflamados que soavam a falso, como dos que votaram não no meio de uma guarda pretoriana de salafrários, cujos rostos carregados de ódio não deixavam dúvidas quanto ao nível do palavreado e ao tom das ameaças.

E fixei em particular a careca untuosa de um rei dos capangas, que em cima do microfone e entre cada esgar e cada insulto, limpava a boca à bandeira do Brasil. Retirar esse bandido da cabeça não tem sido tarefa fácil – mas sei que vou conseguir.

Observador, Sábado, 28ABR16