Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Um jogador enorme e um pequeno homem

Escrevo esta crónica na manhã de sábado, antes do jogo que nos opôs à Croácia e sem saber, portanto, se na quinta-feira estaremos nos “quartos”. Faço-o porque indo referir-me a Cristiano Ronaldo não quero ver ampliado o tom crítico deste texto caso CR tenha voltado a ser o pior jogador do Mundo para certa gente, nem sentir-me tentado a poupá-lo por ele ter sido, para quase todos os portugueses, o melhor futebolista do Planeta.

Sobre as qualidades profissionais de Cristiano já está tudo dito e ele merece até que se denuncie o oportunismo daqueles comentadores que o atacam sempre que ele tem um desempenho menos bom. Todos nos lembramos daquele catedrático do futebol que passou cinco anos a sugerir que Scolari não tinha capacidade para ser selecionador nacional – engolindo em seco o 2.º lugar de um Europeu e o 4.º lugar de um Mundial como se não tivessem acontecido – para em 2008, quando o brasileiro partiu, se ufanar: veem como eu tinha razão?

Louvado que está o Cristiano jogador até aos anéis de Saturno, há que sublinhar como é ainda pequeno o homem. É verdade que não lhe podemos retirar, da balança do deve e do haver, a dureza dos verdes anos, nem o espírito solidário que tantas vezes exibe e que parece genuíno. Mas o seu gesto, miserável e ordinário, com o jornalista da CMTV exige firme condenação. Com o arremesso do microfone, o arrogante milionário mostrou não só desprezo pelo trabalho de quem não ganha milhões, como também que não tem dimensão para ser um exemplo para os jovens e com isso – e nada mais tem – retribuir o muito que a sociedade lhe dá. Cristiano deve parar e pensar se quiser crescer como ser humano.

Canto direto, Record, 27JUN16