Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Um comandante e quatro treinadores

1. Cinco anos depois de ter recebido a primeira Bola de Ouro, é extraordinária a evolução social de Cristiano Ronaldo. Não dou como exemplo apenas o facto de Cavaco Silva ter passado de “você” a “excelência”, mas o comportamento global do “comandante”, que vai desde a sensatez das declarações aos projetos solidários em que se envolve. Nesse caminho, teremos de dar crédito ao papel de Jorge Mendes, o gestor de carreira que faltou a Eusébio.

2. Tenho admiração por Paulo Fonseca, pela coragem em assumir o leme de um barco de navegação difícil e pela persistência com que trabalha, acreditando nos frutos desse trabalho. Foi por isso uma deceção a sua vinda a terreiro para repetir as acusações à arbitragem do Benfica-FC Porto, logo a seguir à entrevista de Pinto da Costa. Se tinha essa opinião, devia ter falado antes do presidente. Assim, a fazer de câmara de ressonância, Paulo Fonseca não se afirmará.

3. A SAD do Belenenses resistiu bem a “sugestões” suicidas e confirmou Marco Paulo como treinador. A memória do seu excelente desempenho na época de 2011/12 e a aposta na continuidade dos métodos de Van der Gaag pesaram mais do que os apelos à aventura que tão funestos resultados produziram anteriormente. Uff!, posso deixar de rezar.

4. A opção de Jorge Jesus por Oblak, em detrimento de Artur, confirma a capacidade de liderança do técnico benfiquista. Depois da lesão do titular da baliza, cuja gravidade o levou a deixar o campo mas permitiu o rápido regresso aos treinos, e da inviolabilidade das redes a cargo do esloveno, Jesus não perdoou. E como o brasileiro nunca fez o pleno das preferências dos adeptos – um “fumo” que JJ cheira tão bem – ei-lo “amarrado” ao banco. Não será fácil sair de lá.

5. Em 2012, André Villas-Boas foi despedido do Chelsea e os “blues”, com um ex-adjunto à frente, vieram a conquistar a Liga dos Campeões. Esta época, os maus resultados puseram o português fora do Tottenham e os ”spurs”, com outro técnico de segunda linha, logo somaram 16 pontos em 18 possíveis. Villas-Boas pode estar gordo na conta bancária, mas o ego emagreceu um bocado. Só lhe faz bem.

Canto direto, Record, 25JAN14