Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Um cartoon ameaçador no rescaldo do 25 de Novembro

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Há 39 anos, os dias seguintes ao 25 de Novembro expuseram as divisões que se cavaram na sociedade portuguesa. Como sucedera em Abril de 1974, e também na RTP, o controlo da Emissora Nacional, onde eu trabalhava, havia sido um dos objectivos dos revoltosos. Mas enquanto no Lumiar, um futuro assessor de comunicação do primeiro-ministro (!) – em Portugal o crime sempre compensa – ocupava os estúdios com o apoio de militares ditos de esquerda, na Emissora, o então major João Figueiredo, presidente do conselho de administração, montara, com a ajuda de um grupo de civis em que me integrei, um plano que permitiu passar a emissão para o Porto.

Dei voz de seguida ao comunicado que dava conta da operação e que pedia aos trabalhadores que se encontravam perdidos nas instalações do Quelhas – alguns deles afastados de funções pelos golpistas – para irem para casa. Mais tarde, com a reposição da legalidade em todo o País, houve suspensões na Emissora e, como publiquei no Jornal Novo uma descrição pormenorizada – e mal escrita… – do contra-golpe, fui escolhido como inimigo público pelos que perderam, com direito até a um cartoon ameaçador. Quase quatro décadas volvidas, não me arrependo do lado que escolhi, nem me gabo do meu protagonismo. Os arrivistas nunca têm grandeza.

Parece que foi ontem, Sábado, 4DEZ14

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Na edição de 2 de Dezembro de 1975, o Jornal Novo revelava como falhara o golpe na Emissora Nacional