Um belenense igual a milhões de pessoas que vivem longe da realidade

Esta semana fui interpelado na rua, coisa rara, por um belenense enfurecido, que queria à viva força que eu “denunciasse”, aqui no Record, aquilo que designava por “a venda do Belenenses ao capital”. Creio que no final da conversa de 5 minutos, o homem estaria já apenas indignado e despediu-se com o pedido de “ao menos” um apelo público para o regresso da “pureza” ao clube da Cruz de Cristo.

Valha-nos Deus. É que esta dificuldade em compreender a realidade não é exclusiva de meia dúza de cabecinhas e estende-se, infelizmente, a milhares, talvez mesmo a milhões de pessoas que não se apercebem das consequências da irresponsabilidade de se gastar o que não se tem.E se podemos entender que construir escolas ou hospitais ou vias de comunicação, sendo um gasto, deixa aos vindouros não só o pagamento das dívidas como também o usufruto de estruturas e equipamentos, torna-se numa aberração que uma instituição se arruine a adquirir jogadores sem critério, a assinar contratos megalómanos, a gerir sem dispor de qualquer ideia do que está a fazer.

É verdade que o Belenenses, ou melhor, a sua SAD, já não é dos seus sócios, não é minha, portanto. Porque enquanto lhes pertenceu, enquanto foi nossa, limitámo-nos ao ato absurdo de eleger ou de permitir que fosse eleita para dirigir o clube proprietário da sociedade gente pouco qualificada, que não vivia no Planeta, que nada percebia de futebol e menos ainda de gestão, e que mandava vir brasileiros “pernas de pau” por atacado, ao mesmo tempo que não pagava sequer a conta da água.

Abençoada, pois, a hora em que Rui Pedro Soares apareceu no Restelo. Porque foi ele, com o seu realismo, a sua capacidade para administrar e impor regras, a sua noção do valor do dinheiro e dos limites do risco quem salvou o Belenenses. Estamos, graças a outros, de novo na Liga principal, quando podíamos arrastar-nos, com tudo muito nosso, talvez pela 3.ª divisão – uma pequena diferença.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 22 junho 2013

Esta semana fui interpelado na rua, coisa rara, por um belenense enfurecido, que queria à viva força que eu “denunciasse”, aqui no Record, aquilo que designava por “a venda do Belenenses ao capital”. Creio que no final da conversa de 5 minutos, o homem estaria já apenas indignado e despediu-se com o pedido de “ao menos” um apelo público para o regresso da “pureza” ao clube da Cruz de Cristo.
Valha-nos Deus. É que esta dificuldade em compreender a realidade não é exclusiva de meia dúza de cabecinhas e estende-se, infelizmente, a milhares, talvez mesmo a milhões de pessoas que não se apercebem das consequências da irresponsabilidade de se gastar o que não se tem.
E se podemos entender que construir escolas ou hospitais ou vias de comunicação, sendo um gasto, deixa aos vindouros não só o pagamento das dívidas como também o usufruto de estruturas e equipamentos, torna-se numa aberração que uma instituição se arruine a adquirir jogadores sem critério, a assinar contratos megalómanos, a gerir sem dispor de qualquer ideia do que está a fazer.
É verdade que o Belenenses, ou melhor, a sua SAD, já não é dos seus sócios, não é minha, portanto. Porque enquanto lhes pertenceu, enquanto foi nossa, limitámo-nos ao acto absurdo de eleger ou de permitir que fosse eleita para dirigir o clube proprietário da sociedade gente pouco qualificada, que não vivia no Planeta, que nada percebia de futebol e menos ainda de gestão, e que mandava vir brasileiros “pernas de pau” por atacado, ao mesmo tempo que não pagava sequer a conta da água.
Abençoada, pois, a hora em que Rui Pedro Soares apareceu no Restelo. Porque foi ele, com o seu realismo, a sua capacidade para administrar e impor regras, a sua noção do valor do dinheiro e dos limites do risco quem salvou o Belenenses. Estamos, graças a outros, de novo na Liga principal, quando podíamos arrastar-nos, com tudo muito nosso, talvez pela 3.ª divisão – uma pequena diferença.

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