Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Três estrelas

Nos últimos dias, tem estado na moda elogiar Nico Gaitán. Elogios justos, sem dúvida, para um jogador especial, desde logo pela forma como se apresenta, sem o corpo repleto de tatuagens e o cabelo com cortes à chunga, e depois pela estrutura do discurso e pela cabecinha – própria, atenta, preocupada e esclarecida.

Causam-me menos admiração as exaltações do argentino a Jorge Jesus, agora que saiu do Benfica e já não se encontra sujeito àquela disciplina interna que impõe silêncios e palavras de circunstância. A natureza humana só se revela, na sua verdadeira dimensão, quando as pessoas se vêem livres das amarras. Coragem, então sim, teve Gaitán quando se cruzou com Jesus e o cumprimentou – no derradeiro dérbi, creio. Coragem e estatuto, porque se de um pobre diabo se tratasse, há muito que estaria a caminho de um Omonia qualquer.

Aplaudo também, agora que a época em Portugal acabou, a postura de outra estrela que em boa hora o FC Porto trouxe para o nosso futebol: Casillas. Independentemente do seu atual valor futebolístico, que deixo à voracidade dos Mourinhitos que temos por aí, reparei numa simples frase de Helton sobre Iker: “Teve respeito por quem já cá estava, é um exemplo”. Casillas não trouxe só classe e visibilidade ao futebol português, trouxe igualmente a dimensão humana e o caráter em que estamos tão deficitários.

Termino com uma terceira estrela, afinal a primeira, a da Seleção Sub 17 que se sagrou campeã da Europa. É uma plêiade de novíssimos grandes jogadores, uma outra geração de ouro que saltou de pequenos e envergonhados pés de páginas para a abertura dos telejornais. Parabéns, malta!

Canto direto, Record, 23MAI16