Três chás no deserto

Depois dos piores dias da minha vida, qualquer notícia me parecia desinteressante, mesmo tendo pela frente, em Porto Santo, o melhor mar de Portugal. Mas obriguei-me a identificar figuras da área do desporto que me pudessem tocar e encontrei – foram três chás no meu deserto.

  1. O Europeu de Sub-21 terminou com mais uma boa participação da nossa seleção e a vitória moral a que estamos habituados. O melhor de tudo para mim esteve na afirmação, que espero definitiva, da capacidade do selecionador, como técnico e condutor de homens. Rui Jorge foi das pessoas com mais qualidade, e com mais caráter, que pude conhecer no mundo do futebol, e vê-lo triunfar de novo – após já o ter conseguido como jogador – é um bálsamo.
  1. Apreciei também a trasladação dos restos mortais de Eusébio para o Panteão, perante o silêncio de boa parte, a parte estúpida, da “intelligentsia” portuguesa, não tanto pelo evento mas pelo que ficou para trás. Sim, recordo o estatuto de pobreza atribuído ao “King” por anteriores dirigentes, que confirmava a forma miserável como findara a sua carreira futebolística com a águia ao peito. Não fosse a visão e o sentido de justiça de Luís Filipe Vieira e Eusébio não teria acabado como a figura nacional que indiscutivelmente foi.
  1. O regresso ao ativo de Octávio Machado: eis uma grande notícia para o Sporting e para o futebol. Eu sei que todos nos interrogamos como será possível o convívio de Jorge Jesus com Bruno Carvalho, dúvida que cresce com a chegada de outro “feitio complicado” a Alvalade. Mas confio que Octávio, hoje um homem que sabe tudo da vida, seja, antes, um amortecedor nas horas difíceis – que não faltarão –, aquele que faça com que o “pelo na venta” de dois se transforme em harmonia a três.

Canto direto, Record, 13JUL15

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