Trata-se da morte (se ainda não perceberam)

Em breve teremos três mil novos contágios por dia e, talvez ainda este ano, idêntico número de mortos desde o início da pandemia. Nada que preocupe muito os constitucionalistas de trazer por casa e os fanáticos da proteção de dados.

Junto-me aos especialistas que duvidam da utilidade da aplicação StayAway Covid. E também aos que criticam a absurda obrigatoriedade da sua importação, por um simples motivo: a fiscalização seria impossível. Mas não percebo a histeria dos que dizem querer preservar os seus dados de um sistema que assegura o anonimato. E não os entendo apenas por essa falta de lógica. É que todos os dias milhares de portugueses importam as mais diversas aplicações – boa parte delas inúteis – cedendo alegremente, aí sim, informações pessoais a entidades que desconhecem e entrando num mundo que não dominam.

Quanto aos “baluartes” da Constituição, como se compreenderia a sua relutância no caso, desgraçadamente improvável, da StayAway Covid ser parte eficaz do combate à pandemia? Acirramos uma polémica estúpida quando o que se pretende é salvar a vida de tantas pessoas? Porque é disso que se trata, da morte, que surge indiferente ao facto de ser a mais inconstitucional das consequências.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 17out20

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