Tony Carreira e a casca de banana do MP

Sou em simultâneo um melómano que gosta de ópera e um saloio que aprecia Tony Carreira. E devo confessar que esta história dos plágios, ou da usurpação de autoria, como quiserem, não me aquece nem me arrefece.

Nem parece aquecer demasiado o Ministério Público, que propôs ao artista um acordo de peanuts com o queixoso e a doação de 15 mil euros à associação Amigos do Hospital de Santa Maria, para a aquisição de 25 cadeiras de rodas – sinal de que o processo não irá longe.

Compreendo a recusa de Carreira: julga ter razão e prefere uma decisão judicial. Mas existia na proposta do MP uma casca de banana que o cantor pisou – a da solidariedade. Ora, um artista que fatura milhões e que tem até no mercado três casas de valor superior a 4 milhões de euros, não pode recusar uma devolução tão simbólica – em relação à fortuna que acumulou – à sociedade que o ajudou a ser quem é.

Em vez do silêncio de chumbo a que se remeteu, teria ficado bem a Tony Carreira, recusando pagar pela desistência da queixa, aproveitar a sugestão do MP e auxiliar os Amigos do Hospital de Santa Maria. Devia pôr os olhos em Cristiano Ronaldo, que recolheu há dias um enorme consenso nas redes sociais – fenómeno impossível – graças ao apoio que deu à família de um pequeno fã de 6 anos, soterrado nos escombros do seu colégio, na Cidade do México. Mas, infelizmente, a grandeza não se compra, é só de quem a tem.

Observador, Sábado, 28SET17

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