Teresa, a minha tetracampeã

A minha filha Teresa tirou um curso de que não gostava e que só lhe serviu como formação de base para abraçar a profissão para a qual sentia verdadeira vocação: o jornalismo.

Creio que tive culpa. Quando ela quis, aos 16 anos, começar a ganhar o seu próprio dinheiro, encaminhei-a para o que havia mais à mão: recolher fichas dos jogos de futebol, ao fim de semana, na redação do semanário “Off-Side”. Corria o ano de 1983. Depressa lhe tomou o gosto, tornou-se sócia do Belenenses e, apesar de o namorado ser do Sporting, lá estavam os dois, semana sim, semana não, na bancada do Estádio do Restelo.

Tê87

Agora, confrontado com a dura realidade do seu desaparecimento físico, recordei o seu percurso como atleta, que se iniciou no Algés e Dafundo, primeiro na natação e no judo, aos 10 anos em definitivo no basquetebol. Em 1987, ainda com 19 anos, foi campeã nacional, sem derrotas, pelo CIF (vêmo-la na foto, com o n.º 13), proeza que se repetiria em 1991.

Mais tarde, com outras responsabilidades na vida profissional e familiar, baixou a intensidade dos treinos mas continuou a jogar, sendo de novo bicampeã nacional, então da II Divisão, pelo St. André e pelo Algés e Dafundo – ou seja, em cima dos 30 anos regressou a casa.

Foi, até ao fim, fiel à ética em que o desporto a formou e fiel ao Belenenses, ao lado do marido benfiquista. E à saudade que a Teresa me deixa pertencem os acenos conformados que trocávamos, entre a bancada e a tribuna de imprensa, sempre que o “Belém” nos dava desgostos, e deu muitos. No dia da sua última viagem, aqui celebro, além da mulher fantástica – corajosa, inteligente, divertida e generosa –, a grande desportista de que tanto me orgulho.

Canto direto, Record, 22JUN15

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