Tempo de insultos

Quatro guardas da GNR meteram-se numa alhada: terão dirigido, no calor de protesto frente ao MAI, uns nomes feios ao ministro. Como se nunca tal se tivesse ouvido no quotidiano dos telejornais.

O problema reside menos no que os militares disseram e mais no tempo de antena que os canais sempre dão aos desmandos, fiéis ao princípio de que quanto maior o desvario maior a curiosidade e maior a audiência. Divulgados os insultos, a espada da lei cai sobre o pormenor e ignora o verdadeiramente insultuoso: o desrespeito pelas pessoas e pela sua dignidade. São os dias de tensão social que atravessamos.

Desde a hora em que gente em fúria chamou “fascista” a Jorge Sampaio – talvez o cúmulo da linguagem desbragada sem palavrões – que já nada nos admira. Termos como “gatunos” ou “assassinos”, recorrentemente com endereços errados, tornaram-se prática habitual. Basta ver, aliás, uma “manif” de professores, para se verificar o nível a que descem a agressividade e o desespero. Agora, claro, apareceram os guardas, a carne ideal para canhão. Pobre país.

Antena paranoica, CM, 16NOV13

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