Crónicas da Sábado: o que provoca as aftas?

Agora que Lance Armstrong assumiu a responsabilidade por aquela que é, provavelmente, a mais gigantesca fraude do desporto mundial, e que provocou, isso com toda a certeza, uma deceção que deixou milhões de adeptos do ciclismo em estado de choque, recordo um episódio que não passa hoje de uma história para crianças. Havia, anos atrás, na Volta a Portugal, um corredor, português e hipocondríaco, que se queixava de dores disto e daquilo ao longo das etapas, e que só se calava após lhe darem uma aspirina. Então, os responsáveis da... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: Deus chega-me

Cresci num tempo em que a Igreja Católica dominava o Estado e estendia a sua influência por grande parte da sociedade portuguesa. Ainda bastante pequeno, ia com os meus pais à celebração dominical, ora na Basílica da Estrela, onde me haviam batizado, ora na igreja do Santo Condestável, na altura a cheirar a novo, no bairro lisboeta de Campo de Ourique. Aos 8 anos, ensinaram-me a ajudar à missa e, até aos 10, desempenhei essa tarefa na paróquia de Canas de Senhorim, sendo elogiado pelas senhoras mais devotas e pelo... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: o paralelipípedo

Da janela de minha casa, no último andar do prédio do Rossio onde se encontra a histórica pastelaria Suíça, eu tinha uma vista privilegiada de um estranho Convento do Carmo. Sobre ele, uma pala gigantesca, metálica e paralelipipédica, era suportada por quatro enormes gruas. Admirava-me o facto de os esguios guindastes aguentarem um peso tão brutal e pensava no que seria se um deles soçobrasse. Como se força superior me interceptasse o receio, uma das gruas cedeu, o toldo imenso inclinou-se e, lá do alto, tombou sobre a Baixa. Julguei... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: um rapazinho estúpido

Tenho procurado ao longo da vida recuperar o tempo perdido em criança. Porque embora tivesse sido, então, um privilegiado em relação à maioria dos rapazes da minha idade, não pude naturalmente ter acesso aos brinquedos que ainda estavam por inventar. Vivi a infância no tempo dos carrinhos de madeira, pelo que colecionei mais tarde, já a entrar na adolescência, as miniaturas dos modelos que sempre desejei. E comprei, logo a seguir, um dos primeiros gravadores do mercado e um dos primeiros rádios a pilhas, a que chamavam transistores, e que... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: não são normais

Para os leitores que não sabem quem foi José Maria Pedroto, eu explico. Era médio do Belenenses, em 1952, quando o FC Porto pagou por ele 500 contos, a mais cara transferência do futebol português até à altura. Depois de pendurar as botas, passou a treinador e depressa se transformou no que já fora como jogador: um profissional de top. Senhor de uma inteligência superior e adiantado no tempo – esse raro dom que distingue, em qualquer atividade, o crème de la crème – foi um técnico revolucionário, sagaz no... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: não são humanos

Os escritos nas portas das casas-de-banho são, talvez, o mais antigo sinal de disfunção social de que me recordo. Interroguei-me sempre sobre o que fará com que certa gente se entregue a esse trabalho sujo, mas conforme fui conhecendo as pessoas compreendi o poder das frustrações. E a atração pelo proibido, que leva o ser humano (?) a encontrar-se com o que verdadeiramente é quando a solidão lhe garante a impunidade, reavivando, com isso, o castrado desejo de quebrar as regras e descer ao bas-fond onde se albergam os sentimentos... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: da fama de assédio não se livram

Esta história do assédio tem muito que se lhe diga e estará sempre dependente das pessoas e das circunstâncias, claro, mas também de quem conta o conto, já que, normalmente, a tendência manda acrescentar um ponto. Desde que ganhei consciência da minha fragilidade, um pouco tarde, infelizmente, para mim e para os que tiveram de me aturar, não só não guardo recordação de ter assediado alguém, como passei a ter o máximo cuidado com esse tipo de comportamento, pois o tema é escorregadio e não permite defesa: uma vez acusados,... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: Isabel Jonet e o elefante da gula

De Isabel Jonet só conheço, e por ler e ouvir dizer, o seu trabalho à frente do Banco Alimentar. Chega para a admirar, até porque sofro do mal nacional do egoísmo e terei de aprender a olhar menos para o meu umbigo. A verdade é que sei bem o que é a miséria, pois frequentei o primeiro ciclo escolar, há mais de meio século, na Beira Alta, e fiquei marcado pelo que vi. Numa turma de vinte e tal alunos, só cinco ou seis andavam calçados, o que significava que... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: absurda é a realidade

Ficaram famosas muitas das reportagens de faz de conta que o semanário “Tal&Qual” publicou ao longo de quase toda a sua já encerrada história. Desde o deputado Manuel Catarino, tranquilamente sentado no hemiciclo em S. Bento, até à entrada de uma equipa de técnicos de ar condicionado no Ministério dos Negócios Estrangeiros, para provar que a segurança do ministro Jaime Gama era uma treta. E passando pelo golpe clássico da imitação da voz do primeiro-ministro Cavaco Silva, que telefonou a diversas personalidades para as convidar para o Governo. O imitador... Leia o resto →

Crónicas da Sábado: e o Gomes Mota ficou

Sou o verdadeiro turista acidental, ops!… cuidado com as palavras, turista ocasional, sim, ocasional é melhor. Ou seja, visito uma ou duas cidades estrangeiras por ano, quase sempre as mesmas, e passo dez dias de férias algures, agora que o Algarve tem a água mais fria que nunca, pese o aquecimento global. Deslocações ao serviço de Record não há, primeiro porque tenho quem as faça por mim, e depois porque os tempos não estão para diretores que, a propósito de campeonatos mundiais ou Jogos Olímpicos, se ausentam da redação por... Leia o resto →

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