Novo êxito europeu a caminho?

A 21 de maio último, quando os nossos sub-17 se sagraram campeões europeus de futebol, estávamos longe de admitir sequer que os seniores repetissem a proeza um mês e meio depois, no mesmo dia em que se concluiu o Europeu de atletismo, em que os atletas portugueses conquistaram seis medalhas, sendo três de ouro. Nesse 10 de julho que fica na história do desporto nacional faltou apenas Rui Costa, que tentou o triunfo na etapa do Tour que terminava em Andorra, acabando na segunda posição. E já na derradeira sexta-feira, foi Nelson Oliveira a conseguir o 3.º lugar no contrarrelógio. Espera-se que nesta terceira semana pelo menos um deles consiga ainda vencer uma etapa – seria a quarta para o Rui e a estreia para o Nelson.

Quem sabe se galvanizadas pela maré de ouro, a Seleção de hóquei em patins tornou-se também, no sábado, campeã da Europa, e ontem, a de sub-19 de futebol apurou-se para as meias-finais do Europeu e qualificou-se, em simultâneo, para o Mundial de sub-20 do próximo ano. Será que no dia 24 iremos comemorar o quarto título de campeão europeu de Portugal em apenas dois meses?

A onda de grandes resultados poderá prosseguir em agosto, no Rio, onde teremos mais de 90 atletas a tentar aumentar a lista das 23 medalhas olímpicas que obtivemos em 80 anos – desde que, em 1936, nos Jogos de Berlim, o cavaleiro Luís Mena e Silva arrebatou o bronze. Mas a surreal convocatória da Seleção de futebol – que poderia, sob o comando de Rui Jorge, continuar o magnífico trabalho dos sub-21, vicecampeões europeus em 2015 –, e a estupidez que evidencia, não constituem o melhor dos auspícios. Do Portugal obtuso, há sempre uma bandeira pronta a esvoaçar.

Canto direto, Record, 18JUL16

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