Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Sporting é tarefa para Deus

Luís Filipe Vieira não resiste na presidência do Benfica apenas pela sua vocação para líder, mas também pelo deserto que a capacidade de comando que tem evidenciado ao longo dos anos criou à sua volta. Tão pouco o vemos rodeado por pequenos ou potenciais líderes, já que a sua equipa é constituída por seguidores – naturais ou que se foram acomodando à subalternidade. E não se vê sequer, num horizonte próximo, uma cabecinha espetada a aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Se olharmos para o FC Porto, o panorama não é muito diverso, embora a longa permanência no poder de Pinto da Costa tenha criado uma expectativa nova, precisamente aquela que resulta da certeza de que falta ao líder o dom da eternidade. Se lhe juntarmos o consenso trazido pelos anos, e especialmente pelas vitórias, podemos entrever – e essa é a grande diferença para o cenário da Luz – um ambiente que permite vislumbrar um ou outro putativo candidato com carisma e confirmada competência.

Não tem o Sporting beneficiado nos últimos anos do contributo de um timoneiro ao nível de Vieira ou Pinto da Costa. E curiosamente é no reino do leão que não faltam líderes ou candidatos a sê-lo, muita gente com qualidade ou com ambições, e alguma, até, qualificada e disposta a servir. O problema – e disso é prova, mais uma, a entrevista que o ex-“vice” Carlos Barbosa dá amanhã a Record – reside na falta de tranquilidade para trabalhar resultante dos débeis resultados do futebol, do excesso de gente capaz, ou que se julga capaz, para vir a ser presidente, do consequente défice de seguidores disponíveis para formar uma equipa e seguir um líder. E, finalmente, da não afirmação de uma liderança.

Ora, nos tempos que correm, para mandar no Sporting – e não se podendo atirar a matar, nem descobrir poços de petróleo – resta esfregar o nariz e fazer um pedido: que as bolas entrem na baliza dos adversários, que a equipa ganhe sempre ou quase, que o Sporting volte a ser Sporting e que então o dinheiro apareça. E essa é, da forma como estão as coisas, uma tarefa para Deus. 

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 14 julho 2012

Luís Filipe Vieira não resiste na presidência do Benfica apenas pela sua vocação para líder, mas também pelo deserto que a capacidade de comando que tem evidenciado ao longo dos anos criou à sua volta. Tão pouco o vemos rodeado por pequenos ou potenciais líderes, já que a sua equipa é constituída por seguidores – naturais ou que se foram acomodando à subalternidade. E não se vê sequer, num horizonte próximo, uma cabecinha espetada a aguardar o desenrolar dos acontecimentos.
Se olharmos para o FC Porto, o panorama não é muito diverso, embora a longa permanência no poder de Pinto da Costa tenha criado uma expectativa nova, precisamente aquela que resulta da certeza de que falta ao líder o dom da eternidade. Se lhe juntarmos o consenso trazido pelos anos, e especialmente pelas vitórias, podemos entrever – e essa é a grande diferença para o cenário da Luz – um ambiente que permite vislumbrar um ou outro putativo candidato com carisma e confirmada competência.
Não tem o Sporting beneficiado nos últimos anos do contributo de um timoneiro ao nível de Vieira ou Pinto da Costa. E curiosamente é no reino do leão que não faltam líderes ou candidatos a sê-lo, muita gente com qualidade ou com ambições, e alguma, até, qualificada e disposta a servir. O problema – e disso é prova, mais uma, a entrevista que o ex-“vice” Carlos Barbosa dá amanhã a Record – reside na falta de tranquilidade para trabalhar resultante dos débeis resultados do futebol, do excesso de gente capaz, ou que se julga capaz, para vir a ser presidente, do consequente défice de seguidores disponíveis para formar uma equipa e seguir um líder. E, finalmente, da não afirmação de uma liderança.
Ora, nos tempos que correm, para mandar no Sporting – e não se podendo atirar a matar, nem descobrir poços de petróleo – resta esfregar o nariz e fazer um pedido: que as bolas entrem na baliza dos adversários, que a equipa ganhe sempre ou quase, que o Sporting volte a ser Sporting e que então o dinheiro apareça. E essa é, da forma como estão as coisas, uma tarefa para Deus.