Sopram ventos de mudança

O Benfica tarda em encontrar o pé e a impaciência aumenta nas suas hostes. Sinal de falta de qualidade dos “reforços” ou antes uma amostra do que aí vem? Lembro-me sempre de uma Taça de Honra da AFL, em mil novecentos e troca o passo, em que o Benfica foi goleado pelo Belenenses (5-0), na abertura da época, para depois, no campeonato, se sagrar campeão. Tenham calma, não se excitem.

Tanto William Carvalho como Marcos Rojo – este depois de um Mundial de altíssimo nível – não têm clubes interessados em pagar para os levar de Alvalade, segundo anunciou esta semana Bruno de Carvalho, que garantiu não existirem sequer propostas. E andam alguns jornalistas há meses em campanha pela sua saída… Que deceção!

Duvidei que o Belenenses pudesse fazer uma temporada tranquila após ouvir o treinador e o líder da SAD a dizerem cada um sua coisa sobre os jogadores a contratar. A minha dúvida cresceu com a saída do “capitão” Duarte Machado, que era a alma da equipa, e entrou já no vermelho com a incompreensível rescisão de Fernando Ferreira, outra referência dos azuis. Não me parece nada um rumo que nos leve a bom porto.

Sabemos que este fenómeno do “mercado” tem tanto a ver com a necessidade de se reforçar um plantel como com os interesses financeiros dos clubes e a habilidade dos empresários. Basta ver o que se passa no Real Madrid, que nem com Ancelotti, um dos melhores treinadores do Mundo, consegue renovar os quadros com alguma lógica futebolística. Na derradeira época, Carletto manteve a opção de Mourinho e fez de Diego López titular na Liga. Agora, depois de Casillas dar barraca no Mundial, “nomeia-o” de novo para a baliza e dispensa… Diego López. O argumento é a contratação de Keylor Navas, o costa-riquenho guarda-redes do Levante, cujo “engate” no Mundial lhe aluga um avião de Valência para Madrid. É tão inacreditável como a partida de Di María, o génio que metia velocidade no jogo do Real quando os barões abrandavam.

Gostei de ver ontem, em Alvalade, Bruno Pereirinha como titular da Lazio. E pude confirmar o que a experiência e a vida nos ensinam: mesmo que haja quem tenha pressa no funeral, só se morre, de facto, depois de exalado o último suspiro. Salve, Bruno!

Canto direto, Record, 2AGO14

 

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