Sem Nani, ficamos nas mãos (ou nos pés) dos “polivalentes”

O afastamento forçado de Nani é, para além de enorme infortúnio para um jogador de top que perde a “grande montra”, um rude golpe para a Seleção Nacional. Já não tínhamos Bosingwa, titular indiscutível da defesa e um dos melhores laterais do Planeta, e ficámos desta vez sem um dos grandes extremos do futebol mundial.

Dois jogadores deste nível num onze significam menos 20 por cento de eficácia, o que num plantel “curto” como o português é uma desvantagem significativa.

Aliás, a opção de Carlos Queiroz de chamar mais um todo-o-terreno, Ruben Amorim, em vez de um suplente natural de Nani, como seria Eliseu, revela bem como a nossa equipa vive cada vez mais de jogadores-operários, polivalentes – Paulo Ferreira, Fábio Coentrão, Pepe, Miguel Veloso, Ricardo Costa, Duda e agora o defesa-médio do Benfica – e infelizmente menos de talentos.

Se o Mundial já não seria fácil para Portugal, com a falta de Nani e a profundidade – e a criatividade – que ele transmite ao jogo da Seleção, tudo será mais complicado.

Esperemos que Danny possa estar ao seu nível – uma preciosa indicação que a partida com Moçambique nos deu –, pois se ficarmos entregues apenas ao génio de Cristiano e aos humores de Simão, teremos o carimbo no passaporte antes do que esperávamos.

Uma última palavra é devida a Ruben Amorim, que fez uma excelente época e bem merece esta oportunidade. O azar de uns é a sorte de outros – coisas da vida. 

Passe curto, publicado na edição impressa de Record de 9 junho 2010

Partilhar

Os comentários estão fechados.