Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Sem luz no túnel

Estou no meio, dividido. Por um lado, entendo as reservas do Governo em não avançar com planos de desconfinamento. Desde logo, pela volatilidade das previsões. Exemplo: o número de casos ainda há pouco adiantado para se atingir no final de março chegará, afinal, mais cedo. Depois porque um plano de saída, qualquer que fosse, suscitaria discordâncias e gritarias sem fim e daria a ideia que o pior já passara – e que se podia estralejar os foguetes, ou seja, quebrar regras e abrandar cuidados.

Por outro lado, compreendo os que reclamam que se inicie a discussão pública de uma estratégia que o Executivo – fiel ao hábito de não ouvir quem deve – terá, só que fechada no cofre. É que num ano fiquei mais careca por assistir ao avança e recua, ao faz e desfaz, a uma navegação ao sabor do vento que deu tanto bons como péssimos resultados.

Quem não confia no Governo, mais de metade dos eleitores a acreditar nas sondagens, ou quer desgastar Costa – tarefa ingente – ou está genuinamente preocupado. Mas o que me levaria a debater já o dia seguinte é a saúde mental daqueles que, desempregados, falidos, doentes ou apenas fechados em casa, precisam de começar a ver uma luz. Hoje, vive-se muito de esperança.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 27fev21