Se pudesse, André Ventura

Foram 64 ou mais um ou dois? Durante longos dias, acolheu-se a polémica sobre o número de mortos do incêndio de Pedrógão Grande, como se 65, 66, 11 ou 100 agravassem ou reduzissem a dimensão da tragédia.

Essa discussão espúria, que a oposição alimentou por conveniência e o Governo engordou por incompetência, constituiu apenas um novo exemplo daquilo que tanto agrada à abúlica sociedade portuguesa: o debate do inútil. Porque esse vírus lhe foi inoculado por uma classe política que, com exceções meritórias, nunca se afasta do conforto do politicamente correto e atira as questões mais difíceis para debaixo do tapete.

Foi esse pântano que André Ventura ousou abanar, levantando o problema da minoria cigana, que protege a sua parasitagem – uma prática, aliás, também recorrente na maioria – com mais denodo do que o aceitável, ignorando o primado da lei e desprezando a integração social que reclama mas que na verdade não quer. Com isso, o advogado alvoroçou bruxas e duendes, e fez rebentar sobre si o tsunami institucional das virgens ofendidas.

Não conheço André Ventura, não tenho partido e não sou do Benfica. Mas se pudesse, abandonaria Medina para ir votar a Loures – em André Ventura e sem mais conversa.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 29JUL17

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