Resposta a um portista indignado com o Record

Alex Pais, gostaria de ver respondidos dois pedidos de esclarecimento:

Primeiro, gostaria de saber quais são os critérios da censura aplicados aos comentários às notícias do Record online, ou então que me explicasse o motivo da censura ao comentário que enviei à notícia de sábado, 1 de Maio, “Autocarro apedrejado carros da policia atingidos com tinta azul”.

Tentei por 4 vezes, nesse mesmo dia enviar o seguinte ‘desabafo’: “Sempre contra a violência!!! Mas aturar ‘virgens ofendidas’ é que não!!! Mortes no estádio! não foram Portistas!!! autocarros incendiados! não foram Portistas!!! Agora virem com a treta que todos os Portistas são maus! partem tudo! não têm ética!… por favor!!!! Todos, sem exceção, têm telhados de vidro!!! Grande tetracampeão! Amanhã só quero um hat trick do grande Bruno Alves!!!!” …Dá para explicar?!?

Segundo, o Sr. Alex Pais e o seu jornal realmente não têm consideração alguma pelos leitores (compradores!) Portistas, pois não? Passo a explicar: mais uma iniciativa do Record, o ‘dominó’ e mais uma vez única e exclusivamente dedicada a Sporting e Benfica. Questiono, é o Record que não quer o Porto nas suas iniciativas?? É o Porto que não quer ver o seu nome associado ao Record?? Seja lá qual for a resposta, não acha que os leitores (compradores!!) do Porto mereciam um esclarecimento?

O meu nome é Eugénio A. Ribeiro de Sousa, sou um saloio do Marco de Canaveses que estuda na bela cidade da Covilhã.

Divido também a resposta em duas. A primeira é esta, do editor-chefe adjunto da direção, Luís Pedro Sousa, que nesta fase é o responsável pela edição online de Record:

Meu caro Eugénio:

No Record Online são rejeitados, em tese, todos os comentários de conteúdo obsceno, de caráter insultuoso, que façam o apelo à violência ou demonstrem, de alguma forma, condescendência face a atos deste tipo.

Como deve calcular, torna-se extremamente difícil estabelecer parâmetros neste domínio. Cada caso é um caso e cabe aos moderadores destrinçar, por exemplo, o que é linguagem própria do futebol, contida em expressões do género “lagartos”, “galinhas” ou “tripeiros”, e o insulto gratuito.

Em relação ao exemplo que aponta, lembro-me que eu próprio me deparei com esse comentário. Rejeitei-o, pois não me pareceu de bom tom o termo “virgens ofendidas” e, principalmente, o facto de estar a recordar graves incidentes ocorridos no passado, pouco antes de um jogo tão complicado.

Por outro lado, ao afirmar “agora virem com a treta que todos os portistas são maus! partem tudo! não têm ética!”, dá a entender, admito que involuntariamente, que na notícia em causa haveria algum juízo de valor desse tipo,  o que não correspondia à verdade.

Enfim, tudo somado, entendi que o comentário não deveria passar. Cumprimentos.

Quanto ao segundo pedido de esclarecimento:

O leitor está enganado, temos tanta consideração pelos leitores portistas como pelos outros, adeptos dos mais diversos clubes. Se não há dominó do FC Porto é porque o seu clube recusa qualquer negócio com o Record. E repare na palavra, negócio. Sim, tanto Benfica como Sporting foram pagos pela cedência dos seus direitos de imagem. Não precisamos de pedir nada a ninguém, até porque a nossa independência não se deixa condicionar.

Esta zanga do FC Porto com o Record é uma situação antiga – seguramente com culpas de parte a parte – que vem de antes de 2003, ano da minha chegada ao jornal, e que não foi possível a esta direção ultrapassar, como era nosso desejo. Infelizmente, a cultura do ódio é mais forte no futebol português do que o diálogo e a capacidade de entendimento.

E já agora, quanto ao primeiro pedido, acrescento que não existe “censura”, mas apenas falta de tempo para avaliar os inúmeros comentários, e cabeças diferentes (mais de uma dezena!) a fazer essa avaliação. O que me choca a mim, não choca outros, é assim a vida. Mas se quiser insistir na “censura”, lembro que estamos perante um site particular e não a utilizar um serviço público. Em sua casa também não entra só quem o meu amigo entende? Então…

Cumprimentos aí para a Covilhã, cidade de que muito gosto!

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