Reflexões de inverno – 2

1. Prossegue o estrondoso sucesso das rescisões de contratos de trabalho na RTP, com mais 220 indemnizações pagas em 2013. Já não sei quantas vezes, nas últimas décadas, se emagreceu o quadro de pessoal da estação pública sem que se vejam resultados efetivos dessa política. E sobre os critérios que levam a decidir quem faz falta e quem está a mais… hum, desconfio muito.

2. Não sei bem se ainda existe Entidade Reguladora ou se continuam ativos os seus poderes, o que sei é que o triste palavreado dos javardinos da Casa dos Segredos, da TVI, se estendeu sem pudor ao Você na TV!. Esta semana, a vencedora da coisa, aclamada como uma diva e confrontada com a celerada lista dos cento e tal amantes, respondia na cara de Goucha e Cristina: “Cento e doze, centro e treze, é o que for, o c… é meu!” País do vale tudo.

3. As derradeiras declarações do presidente da Associação Nacional de Sargentos surgem como uma nova ameaça velada, de camuflado, ao poder democrático, através de uma mensagem ambígua que se refere à “revolução de mentalidades” e ao facto dos portugueses terem “a mudança nas suas mãos”. Demagogia pura, sargento Coelho.

4. Problemas informáticos estão a ser invocados pelo Estado para passar de março para julho o início dos novos cortes da CES e das pensões de sobrevivência. Ou seja, o intuito é continuar a manter os reformados na completa ignorância do que descontam e porquê. Os valores líquidos mudam – normalmente descem – de mês para mês e não é dada às vítimas qualquer justificação. É o que os senhores quiserem dar e bico calado. Pobre e mal agradecida, esta gente que não morre.

5. O desemprego está em queda há dez meses consecutivos mas o que vemos são empresas a fechar e não empreendimentos a nascer. Cheira um bocadinho a engenharia na arte da contagem, não é? Oxalá me engane.

6. Os temporais voltaram a fazer estragos ao longo da costa, invadindo o mar espaços que tinham vindo a ser poupados. Com muitos milhões de euros investidos na recuperação das zonas costeiras, o que falhou? Não se acreditou que o nível das águas iria respeitar a prevista subida ou tratou-se apenas de fechar os olhos ao risco, planificando mal e mantendo negócios que ninguém admitia perder? Agora, são mais uns milhões em cima até vir a maré e escavar tudo outra vez. Talvez perguntando aos holandeses se resolvesse.

7. Pior do que perder brutalmente um filho é não saber as circunstâncias em que ele morreu. Daí que investigações jornalísticas avulsas vão preenchendo o vazio sentido pelos pais dos jovens que pereceram no Meco e atirem setas ao infeliz que sobreviveu à tragédia. A estupidez das praxes não está só.

Observador, Sábado, 6FEV14

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