Quem pode é que deve pagar mais IRS

Cúmplice na política de cortes das pensões de Passos Coelho – inevitável perante a iminência de bancarrota que o Governo anterior enfrentou, como já tantos se esqueceram desse pormenor… – Assunção Cristas defende agora uma impossibilidade: a redução de IRS para todos os escalões.

Ao longo de anos, tenho combatido aqui não só o prolongamento da CES, de que só em dezembro ficaremos livres, como a insistência de Passos na reformada Segurança Social – ideia fixa há dias retomada – que nada mais é, para o líder do PSD, do que a redução ad aeternum das pensões contributivas altas e médias-altas, incluindo as que a reformulação do sistema, em 2007, na prática reduziu a metade – e todas, aliás, congeladas desde 2009 e fortemente penalizadas nos impostos.

Mas a oposição a essa obsessão de que o Estado roube em definitivo os pensionistas que descontaram para receber o que hoje recebem, não se pode estender à exigência da redução do IRS assumida por Cristas. Porque não é a quem tem pensões baixas ou mesmo médias – que em Portugal são igualmente modestas – que se deve pedir sacrifícios. Já os reformados que mais auferem podem fazer esse esforço. Manter ou até aumentar o IRS dos escalões mais elevados seria uma medida lógica face às circunstâncias. E ao contrário da reforma de Passos, reversível no dia em que o crescimento económico finalmente o permitisse.

Observador, Sábado, 14SET16

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