Queiroz e a Federação: guerra de egos e de pequenez

Mesmo com o guião a meio, parecem não existir dúvidas quanto ao desfecho da lamentável novela protagonizada por Carlos Queiroz e por outros: o selecionador nacional deixou de ter condições para continuar no cargo.

Record teve sempre uma posição oficial clara – independentemente das opiniões aqui expressas ao longo das últimas semanas pelos seus colunistas – e essa posição, que repetidamente afirmei, foi a da estabilidade que defendesse o trabalho dos jogadores, os resultados da Seleção e a imagem de Portugal.

Mas a sucessão de casos e a sua inevitável mediatização levam-nos hoje ao levantamento do “embargo” às lusas paixões, essas geradoras de ódios primários ou de simpatias espúrias, e ao lançamento da petição “Acabem lá com isso e depressa”.

Conhecendo Queiroz, sabe-se que de burro não tem nada, e que se deu uma entrevista em que acusou um dirigente federativo de ser a “cabeça do polvo” é não só porque foi isso que quis dizer, como também porque mediu as consequências dessas palavras. Primeira moral da história: quer que o mandem embora e levar o cheque.

Por outro lado, conhecendo a Federação Portuguesa de Futebol, ou seja, os seus dirigentes de topo e a arte que têm para permanecer nos cargos, temos igualmente de convir que de parvos têm pouco, pelo que saberão o que estão a fazer. Segunda moral da história: querem mandar Carlos Queiroz embora sem lhe dar o cheque.

Então, se a rutura é uma realidade, não valeria a pena negociar uma verba “razoável” que privasse o País deste tristíssimo espetáculo? Bem, a resposta a essa pergunta, a existir, implicaria uma análise que só poderia ser feita entrando no domínio da psicologia, pelo que seria excessivo tentar aqui encontrar uma explicação. Trata-se, para simplificar, de uma guerra de egos inchados e de sólida pequenez, de graúdos interesses financeiros e ainda de hábeis mãozinhas da política. Coisas da nossa gente e da desgraça coletiva que nos une. Podemos lamentá-las, mas sabemos que delas, em boa verdade, jamais nos livraremos.

Editorial, publicado na edição impressa de Record de 21 agosto 2010

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