Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Que RTP iremos ter?

Pronto, não se pode elogiar. Entusiasmei-me com a estreia de “Got Talent Portugal” e com o suposto papel familiar de Marco Horácio, e ei-lo a descarrilar ao sair da gare. Confrontado com o apelido de um concorrente, Camoesas, logo lhe fugiu o pé do travão ao inventar um trocadilho forçado e de péssimo gosto: as “camoesas de Vénus”…

Há quem diga que a chegada de Nuno Artur Silva à administração, com o pelouro da programação, transformará a RTP num canal recheado de piadas e piadolas, onde pulularão os frustrados da vida. Mas há também quem sonhe com um serviço público “a sério”, de recheio intelectualmente fino, o que faria da RTP1 uma RTP2, passando esta a uma espécie de RTP3.

Acredito que não acontecerá uma coisa nem outra. A conhecida inteligência de Nuno – e só escrevo isto porque não procuro emprego – fará com que, finalmente, ao rigor orçamental herdado de Guilherme Costa e Alberto da Ponte se junte a qualidade que tem faltado aos programas da estação que todos pagamos.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 7FEV15