Quantos por cento de quê? (da série “Ainda bem que chumbei a Matemática”)

Na minha crónica do Record, na passada segunda-feira, escrevi, a propósito do coronavírus, que a Alemanha tinha menos de meio por cento de mortes em relação ao número de casos positivos. E tinha.

Acontece que essa não é a percentagem mais relevante, como um amigo se deu ao trabalho de me alertar. Porque o que verdadeiramente interessa é saber, não entre os infetados mas entre os que se livraram do vírus, quantos por cento morreram e quantos por cento recuperaram. Isso só pode fazer-se, de forma fidedigna, em países onde já seja significativo o número de recuperações.

Vejamos a China: 81 221 casos positivos e 76 936 casos resolvidos, com 3 281 mortos, 4,3%, e 73 655 recuperados, 95,7%. Se estes números forem verdadeiros, atrevo-me a dizer que são bons dentro da desgraça.

Sendo assim, e entre outras, há três percentagens que podemos calcular em relação à Alemanha.

  1. De infetados, 38 182, em relação à população total, 83 milhões: 0,046% (Espanha: 0,101%. Itália: 0,123%)
  2. De mortos, 197, em relação ao número de casos positivos, 38 182: 0,516% (Espanha: 7,322%. Itália: 10,087%)
  3. De mortos, 197, em relação ao número de recuperados, 5 724: 3,44% (Espanha: 39,38%. Itália: 44,49%)

Que em Portugal possamos, dentro de algumas semanas, estar perto da Alemanha e o mais longe possível de Espanha e Itália…

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