PSD Madeira regenerou-se a tempo

Ao longo de 37 anos e muitas maiorias absolutas, o jardinismo foi apontado pelas oposições madeirenses como a encarnação do mal. Mas os opositores nunca souberam encontrar um caminho alternativo e nas recentes eleições regionais escasseou em estratégia e reunião de forças o que sobrou em partidos, associações, grupos e insignificâncias vaidosas e atrevidas.

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O Notícias da Madeira tentou, em 2001, mudar a linha editorial. Sem êxito. Encerraria em 2007

Em Fevereiro de 2001, estava Alberto João Jardim há 23 anos na liderança do Governo da região autónoma, estive no Funchal ao serviço da Lusomundo para tentar fazer do Notícias da Madeira um tablóide, à imagem do diário continental 24horas.

Tive, então, reuniões de trabalho (e uns almocinhos…) com os accionistas, um dos quais filho de uma das mais proeminentes figuras do PSD Madeira, tendo a conversa resvalado inevitavelmente para a política. E notei, com surpresa, nos mais jovens dirigentes sociais-democratas, uma posição muito crítica em relação ao líder. Debatiam já, há 14 anos!, a forma como se deveria conduzir a sucessão, com a clara preocupação de não deixar apodrecer o seu próprio poder.

Miguel Albuquerque era, havia sete anos, presidente da Câmara do Funchal, e desfrutava de grande popularidade, pelo que foi curioso ver como nos últimos anos a ala mais forte dos bebés do jardinismo se reuniu à sua volta para chegar a uma vitória que mudará imagem e discurso para que nada de substancial se altere. Isso foi possível também porque as oposições adormeceram à sombra das bananeiras, confiando que, com Jardim afastado, tudo lhes cairia nas mãos. Deu no que deu.

Quanto ao Notícias da Madeira, direi que a mudança de linha editorial não resultou porque os seus jornalistas não tinham o perfil necessário e o director era de outro planeta. E também porque faltava assunto e havia, e há, na região, o Diário de Notícias da Madeira, um jornal perseguido pelo poder mas bem feito e bem gerido – e o mais organizado que conheci na minha já longa carreira.

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Perseguido pelo poder, que lhe retirou as receitas da publicidade institucional, o DN é referência na Madeira

 

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