Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Protesta um adepto da Académica

From:
JoaoPavlo Oliveira [mailto:joaopavlo@gmail.com]
Sent: sexta-feira, 9
de Novembro de 2012 21:24
To: Record
Subject: Ao
cuidado do Exmo. Director do Jornal Record

Caríssimo director do jornal “Record”;

O meu nome é João Oliveira, e sou
adepto da Associação Académica de Coimbra.

Ontem, no estádio Cidade de
Coimbra, assistiu-se a um jogo da Liga Europa, entre o vencedor da Supertaça
Europeia e o vencedor da Taça de Portugal. Um jogo que qualquer analista
desportivo diria que seria uma vitoria certa do Atlético de Madrid, pela diferença
de experiência dos jogadores, pela diferencia de orçamento, pelo historial de
vitorias, no fundo, por haver uma diferença gigante de dimensão desportiva
entre um clube e o outro.

O que aconteceu foi precisamente o
contrário, a Associação Académica de Coimbra dominou o jogo por completo, os
jogadores mostraram uma garra e vontade de vencer enorme, e no final o
resultado foi de 2-0 para a Académica, o que permite que a mesma ainda possa
sonhar com o apuramento para a próxima fase desta competição. Ora, parece
unânime considerar que este feito foi sem duvida o feito mais importante desta
jornada europeia dos clubes portugueses, principalmente pela imprevisibilidade
do resultado.

Mas pelos vistos vossa excelência
entende o contrário. Hoje os portugueses acordaram e nas capas dos jornais
desportivos (A Bola e Record), aparecia em primeiro plano o empate (pasme-se),
o empate entre o Sporting e o Genk.

O jornalismo desportivo em Portugal, há muito que se
sabe, é incrivelmente tendencioso em relação aos 3 clubes de Lisboa e Porto,
com certeza por interesses económicos e/ou facciosismo dos jornalistas que
neles trabalham, mas hoje ultrapassou-se o limite do razoável.

Entender-se que um empate entre uma equipa que está a
ter uma das piores fases da sua história, e um clube de quarta ou quinta linha
da Europa é motivo de manchete, e portanto, teoricamente o feito mais
importante a noticiar, quando a Associação Académica de Coimbra venceu, de uma
forma indiscutível, o detentor da Supertaça Europeia, segundo classificado da
liga espanhola, que está em primeiro lugar do grupo, e é um dos gigantes do
futebol europeu, é simplesmente gozar com quem é academista, é simplesmente
gozar com quem não tem o Benfica, Sporting ou Porto como clube de eleição.

Quero apenas, para finalizar,
dizer-lhe simplesmente que estas atitudes não passam despercebidas. Não tenho
evidentemente poder para mudar esta situação, mas observar este desprezo
gigante por esta instituição com 125 anos de história e ficar calado, não é da
minha maneira de ser.

Espero que um dia, sobre o seu comando ou não, o seu
jornal possa ter alguma imparcialidade e não voltar a cometer injustiças
absurdas como esta.

Sem mais,

Despeço-me com as maiores Saudações Académicas.

João Paulo Rodrigues de Oliveira

Nota da QdoC

Caro João Paulo, quando um dia os jornais desportivos mudarem as suas opções editoriais, a minha excelência já não andará por cá. O problema é que são da minha responsabilidade os resultados do Record de há dez anos para cá, e isso tem um preço: o de ter de fazer não o que quero, mas o que deve ser feito. Se estivesse no seu lugar, provavelmente escreveria uma carta aberta, ou mesmo fechada, muito parecida com a sua. Agradeço a gentileza de me dirigir estas palavras e o tom pedagógico dado ao que escreveu. Ao seu dispor.