Promessa a José Gama está cumprida

Estava em falta com José Gama, o antigo deputado europeu e presidente da Câmara de Mirandela entre 1989 e 1995, que levou o desenvolvimento a uma cidade antes perdida nas fragas de Trás-os-Montes. Fui seu amigo e nunca me perdoei o facto de não me ter esforçado o que devia para corresponder ao convite, tantas vezes reiterado, para apreciar in loco o seu trabalho.

Vinte e quatro anos depois de – em Velas, São Jorge, Açores – lhe ter prometido fazer a viagem, e 17 anos após o seu desaparecimento, meti-me no carro com a família e lá fomos cumprir a minha promessa adiada.

Já não encontrei, intacta, o que sei ter sido a cidade-jardim de um autarca-modelo, embora lá sentisse a presença, o poder da palavra, a cultura vasta e o sorriso genuíno do seu impulsionador. A desertificação do interior do país faz-se notar cruamente e muitas casas da zona antiga estão em ruínas. Não será culpa dos autarcas que herdaram a obra, mas há personalidades dificilmente substituíveis, como aquelas que se definem numa frase de Miguel Torga: “O pouco que sou devo-o às fragas”. Infelizmente, José Gama, que tanto citava Torga, não viveu o que merecia – e mereciam os portugueses que tão bem serviu.

O júri da eleição de Miss Açores 1993 (em Velas, ilha de São Jorge), com José Gama, o terceiro da esquerda, e o escriba

 

Parece que foi ontem, Sábado, 13JUL17

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