Ponte está feito ao bife

Nunca entendi os motivos que
levam a RTP a não se assumir como estação de referência, de real serviço
público, procurando antes acompanhar as grelhas da SIC e da TVI, com a
programação da moda. E fazendo-o, para mais, com a pretensão da diferença para
melhor, ou seja, parece julgar-se capaz de cobrir de ouro a coisa banal.

É ao contrário: a efetiva
vocação popular dos canais de Queluz e de Carnaxide deixa a anos-luz a
capacidade da TV do Estado de realizar programas para grandes audiências,
ficando por vezes à mostra um desolador amadorismo nessa área.

O último exemplo é “Feitos ao
bife”, um arremedo de “A tua cara não me é estranha”, com apresentação ao nível
daquela a que Catarina Furtado nos habituou, mas que é insuficiente para se
bater com o sentido único de espetáculo exibida pela produção da TVI. A
comparação das performances dos júris, então, dá para aí uma goleada de 10 a
zero.

A RTP vale hoje pela qualidade da sua informação e pouco mais. É caso
para dizer que ou Alberto da Ponte acorda para a realidade ou está feito ao
bife.

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 2 março 2013

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