Milionários ou pobretanas?

Com saloia excitação, a comunicação social divulgou há dias um relatório do banco de investimento Credit Suisse, que prevê que o número de milionários portugueses – que serão 117 mil (!) – aumente 49% nos próximos cinco anos.

Comecemos pela centenária definição de milionário, que classificava aqueles cujos bens eram superiores a 1 milhão de dólares. Com o tempo e a inflação, a cotação do termo subiu e aplicou-se aos detentores do mesmo valor, mas em aplicações financeiras.

Hoje, o conceito de milionário é mais reputacional e distingue os que vivem bem porque receberam heranças ou ganharam o Euromilhões, e os que, tendo bons salários ou rendimentos, gastam menos e aplicam com sabedoria o que lhes sobra. Os outros não passam de milionariozecos, que depressa ficariam tesos se esbanjassem, e nada têm a ver com os multimilionários, ou seja, os verdadeiramente ricos.

Incluir o imobiliário no património financeiro – até a casa onde vivemos e que duplicou conjunturalmente de preço! – para se especular com o aumento da malandragem que “enriquece”, enquanto os menos favorecidos se esfalfam a trabalhar sem sair da cepa torta, é não só ridículo, como um triste sinal de inveja social num país que empobrece.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 26out19

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