Pinto da Costa ainda é Pinto da Costa?

Cinco vitórias em cinco jogos e primeiro título no Sp. Braga no bolso, eis o derradeiro mês do currículo de Rúben Amorim, o homem que concilia o pior de dois mundos do futebol português: o das corporações, que tentam proteger os que estão a todo o custo e barrar o caminho aos mais novos, e o da rebaldaria, que permite que se trabalhe sem habilitações e se encene um faz de conta ridículo no banco e na “flash interview”. Mas polémicas à parte, o mérito de Amorim é enorme. E a sorte também, como inteligentemente o próprio salientou.

Por outro lado, o que fará Pinto da Costa com a revelação de Sérgio Conceição de que não existe união no clube? Identifica as forças da desunião e recorre ao seu velho “killer instinct” para fazer sangue? Ou mete o treinador na ordem? Ou chuta tudo para canto? Se a hipótese real for esta última, ficaremos com duas certezas: que já não há Pinto da Costa e que a novela não terá um final feliz.

Gostava de perceber, mas talvez isso só seja possível se me fizerem um desenho: o que ganhará o Sporting com a saída do dr. Varandas?

E um segundo desenho: o que ganhou o Barcelona com o despedimento de Ernesto Valverde?

Prossegue o calvário de João Félix em Madrid. Hoje, aos entusiastas da transferência, restarão poucas dúvidas que foi um erro colocar o jogador nas mãos de um treinador que não aprecia o futebol de ataque. E agora? E se Simeone não cai?

Com o terceiro golo em três partidas, Raúl de Tomás está a provar, no Espanhol, que foi uma pena o Benfica ter desperdiçado um goleador com o seu potencial. Como a vida, o futebol tem razões que a razão desconhece.

Enquanto, em Itália, Bruno Alves e Miguel Veloso são titulares na excelente campanha do Parma e do Verona, em Espanha, continuamos sem ver os regressos de Gonçalo Guedes e William Carvalho. E vem aí o Europeu.

Fernando Gomes parece ter conseguido alguma pacificação no conflito que opõe o Belenenses à Codecity. Sim, escrevo “parece” porque o decurso dos anos me tornou mais desconfiado. E havendo flores no vaso que não são propriamente de cheiro… a confiança é zero!

Quando não havia Taça da Liga, o denominado “campeão de inverno” era o clube que fechava a primeira volta à frente do campeonato. Fazia sentido. Hoje, para se valorizar uma competição de facto pouco estimulante, a Liga tomou conta da designação, com alguns jornalistas a abanar o rabo e a ir atrás. Sinal do que temos.

Um “bravo” para o sexto lugar da Seleção de andebol no Europeu e para as grandes exibições que rubricou. Como ainda venho da época em que éramos umas anedotas na modalidade, vibrei particularmente com este êxito. Chapeau!

O último parágrafo devia pertencer apenas a uma das maiores atletas de todos os tempos e por certo a maior tenista de sempre: Serena Williams. A norte-americana, de 38 anos, vencedora de 39 títulos do Grand Slam (16 deles em pares) desde 1998, foi precocemente eliminada do Open da Austrália. Mas dedico também o fecho da crónica a outra lenda que ontem rumou à eternidade: Kobe Bryant, gigante entre os gigantes da história da NBA. Que dia triste!

Outra vez segunda-feira, Record, 27jan20

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