Peter é morto

Cristina Ferreira terminou a aventura na SIC a mastigar de boca aberta, frente à câmara, e com o garfo e a faca espetados para cima. Ou interpretava o papel de “saloia da Malveira” que lhe deu fama ou não terá condições de representar a TVI como administradora. E também não as terá pela capacidade de gestão, uma vez que lidera uma revista exangue, que tem de imprimir 50 mil exemplares para vender 15 mil – um desastre financeiro. Já para umas abébias nas novelas devemos admitir-lhe alguma aptidão, pois vê televisão há 30 e tal anos, o que lhe dará, ao menos, um bacharelato de espectadora da coisa.

É isto e muito mais – basta ir às redes sociais – o que se pode argumentar para alimentar a inveja e a raiva, sem que se altere o que conta: a grande derrota da SIC, que a apresentadora usou como trampolim. E tudo porque se fez o que se julgava ter sido a contratação da década e se descansou. Como se a tremenda ambição de uma mulher esperta, sedutora e atrevida que percebeu que em Portugal o princípio de Peter é morto – e que, portanto, o céu é o seu limite – se conformasse em ser apenas mais uma vaca sagrada no senado de Paço de Arcos!

Cristina quer ter o poder de mandar, esse é o farol da sua vida.

Antena paranoica, Correio da Manhã, 26jul20

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