Pesadelo no quintal do “agricultor”

No tempo em que se ouviam expressões populares e saía barato um peixe seco – por isso conhecido por “fiel amigo” – uma das mais usadas era “para quem é, bacalhau basta”. Ou seja, para um pobre coitado, qualquer coisa serve. É o que se passa com a segunda série de “Quem quer namorar com o agricultor?”, cuja produção, bem inferior à primeira, recolhe ainda assim a preferência do público e sublinha as fragilidades da concorrência.

Não que a SIC queira desrespeitar os espectadores, o que acontece é que aqueles “agricultores”, sem terra, sem casa – lá mudou de poiso o pré-fabricado do João Neves! – ou simples arrendatários foram o melhorzinho que a estação conseguiu para pôr de pé o programa. Difícil terá sido também a seleção dos candidatos, um modesto desfile de gente feia e “desprezada”, sem beira, sem frescura e de perfil a roçar a boçalidade.

A SIC Mulher transmite uma versão norte-americana de “Casados à primeira vista” na qual se inscreveram… 43 mil pessoas. Puderam escolher! Por cá, são só pesadelos no quintal.

Uma palavra final de pesar pela partida de Maria Helena Varela Santos, pioneira da televisão em Portugal e profissional admirável – um anjo que deu luz aos meus verdes anos. Chapeau!

Antena paranoica, Correio da Manhã, 9mai20

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