Pecado de Jesus ou algo mais?

Tivesse Jorge Jesus colocado Miguel Vítor em vez de Luisão e nenhum dos cinco elementos da defesa do Benfica que defrontaram a Naval estaria no seu lugar em Anfield Road. Restaria David Luiz, mas de novo a reviver o pecado de Quique Flores: deslocado do centro, onde é dos melhores, para a lateral, onde não só não faz a diferença, como facilmente se deslumbra com incursões ofensivas que terminam em perdas de bola e em contra-ataques mortíferos, como ontem sucedeu.

O que mais se estranha é que o técnico do Benfica, que está mais careca do que eu de saber que sem segurança na defesa não há equipa que resista, tenha optado por essa “revolução” logo numa partida decisiva e no campo – que é um cemitério onde já caíram muitas das melhores equipas da Europa – de um clube que se especializou em provas a eliminar. O Liverpool não conquista o título de Inglaterra há 20 anos, mas foi campeão europeu em 2005.

Jesus poderá não ter sido, desta vez, feliz nas suas opções, afinal, também tem direito a falhar. Do que não restam dúvidas, depois do desafio de ontem, é que o Benfica não está ainda preparado para estas cavalarias. O Liverpool, com mais jogos nas pernas, não devia estar mais cansado que o clube da Luz? Como conseguem então os seus profissionais exibir mais saúde física e imprimir maior velocidade ao jogo? Como pode Rafa Benitez gerir com êxito o seu plantel e Jesus queixar-se da falta de tempo para recuperar os seus homens?

A verdade é que Cardozo foi uma sombra, Di María perdeu o poder de explosão, Aimar não teve “pulmão” no meio-campo, e Sidnei, cujo potencial se mantém intacto, revelou que a falta de jogos o deixam com a agilidade do camião do leite.

Maxi e Coentrão, nos seus lugares, como David Luiz, se calhar como Quim, fizeram demasiada falta em Liverpool. Mas o que significa a apatia relativa dos encarnados? Só falta de tempo para recuperar ou quebra de forma? Será o Sporting a provocar uma resposta na próxima terça-feira.

Minuto 0, publicado na edição impressa de Record de 9 abril 2010

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