Passos Coelho, o irradiador de infelicidade

Ao longo de quatro anos, admirei Passos Coelho. Não tanto pelas decisões políticas que terão paralisado a economia e muito menos pela parte da reforma que, com a sua bênção, me foi roubada – e que, aliás, prossegue. Mas pela melhoria da situação financeira do País, que permite hoje a António Costa devolver rendimentos, e pela determinação – veremos um dia se correcta ou excessiva – com que Passos enfrentou marés altas e marinheiros em fúria.

Como, na verdade, não sabemos onde nos conduz o caminho trilhado pelo Governo, gostaria de conhecer uma alternativa que pudesse vir a tomar conta da ocorrência e lamento por isso que Passos desista do confronto parlamentar, reduzido ao papel de deputado que não fala, nem olha os adversários de frente. E que tenha voltado aos tiques de afectado perdedor das eleições que ganhou ao justificar a sua lamentável ausência da inauguração do túnel do Marão e ao criticar Marcelo – esse cata-vento que ajudou a eleger Presidente – não por andar de braço dado com Costa mas por “irradiar felicidade”.

Já o ex-primeiro-ministro, ressabiado, irradia infelicidade e veste a pele de ave agourenta, postura que o eleitorado punirá, mesmo que lhe caiam em cima as pragas que Passos parece rogar. E é isso que eu temo quando, e se, do dia enevoado se fizer noite escura.

Observador, Sábado, 12MAI16

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