Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Passei a gostar de “Bem-vindos a Beirais”!

Confesso que me enganei. Melhor, não foi bem um engano, antes uma mudança de opinião. Já há muitas semanas, critiquei nesta coluna a trama modesta e os diálogos básicos de “Bem-vindos a Beirais”. Não fui vencido pelas audiências, que têm assegurado a continuidade da série, cujas filmagens terminaram, desejando eu agora que se retomem. Como diria Henrique Mendes, a vida é feita de encontros e desencontros.

O que se passa é simples: em noites consecutivas e em casas diferentes, vi uma senhora, de 92 anos, feliz por ver “um programa sem sexo e sem palavrões”, como dizia, e uma criança, de 10 anos, divertida com uma das cenas de confusões e pataratices em que “Beirais” é fértil.

Não é coisa pouca. Se as novelas abusam do palavreado e estimulam a safadeza, se os “realities” só promovem gente desestruturada, se os telejornais são um desfilar de desgraças, que seria da televisão como divertimento familiar se não existissem pequenos oásis de felicidade como “Bem-vindos a Beirais”?

Antena paranoica, 4JUL15