Partiu o Zé Paulo, perdi um amigo

Começa a ser insuportável. O privilégio da vida traz-nos também a obrigação do cumprimento de uma pena: a de vermos partir, um após outro e sempre cedo de mais, aqueles de quem mais gostamos e que mais gostam de nós. É uma condenação que carregaremos aos ombros até ao momento em que nós próprios dissermos adeus.

Irmãos

No sábado, dia do meu aniversário, o primeiro em quase meio século em que não tive comigo, fisicamente, a minha filha Teresa, recebo a notícia da morte do José Paulo Canelas, em cujo início de carreira participei, há 33 anos, sem que nunca mais deixássemos de andar por perto. Um pouco como aconteceu com o diretor de Record, António Magalhães – aqui com o Zé Paulo (à dir.), numa foto de 1984 – que na edição de ontem os definiu como “irmãos de sonhos”, que cresceram e aprenderam juntos. E foram-no, de facto, desde os 20 anos, com uma particularidade relevante: ambos cumpriram esses sonhos.

O José Paulo Canelas brilhou especialmente na área do desporto, tendo trabalhado no “Off-Side”, na “Gazeta dos Desportos”, na “Foot”, no Record e em “O Jogo”, de que foi subdiretor. Mais tarde, foi editor, igualmente de Desporto, do “24horas”, diretor do “Tal&Qual” e da “TV 7Dias”, e diretor adjunto da “TV Guia” – e sempre um profissional corajoso, um trabalhador inveterado, um mestre e um amigo. Um amigo que perdemos. Mas perdemos mais: perdemos um jornalista enorme, um dos melhores. Grande carreira, ZP. Chapeau!

Canto direto, Record, 11ABR16

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