Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Partiram mais dois, a vida esgota-se

Ainda não me tinha refeito do desaparecimento do meu ex-camarada de redacção, José António Salvador, de 68 anos, quando o Zé Paulo Fafe me deu a notícia da partida de outro jornalista da minha geração: Manuel Ricardo Ferreira, de 71.

SalvadorCom o José António (à esquerda, numa foto recente) estive no Diário de Lisboa, nos anos de brasa, e acompanhámos juntos a visita do Presidente Costa Gomes à Polónia e à União Soviética, em 1975. Recordo um longo passeio que começou e acabou na Praça Vermelha, em Moscovo, quando retirámos dos casacos os crachás de press porque ele dizia que as pessoas nos olhavam com ódio, na rua, pois viam os jornalistas como apoiantes da ditadura soviética. Mas lembro-me melhor ainda de uma loura que o José António, que era um sedutor, conheceu num café de Varsóvia, comigo a fazer de pau de cabeleira…

Não tenho do Manuel Ricardo tão boas recordações, já que fui para a TV Guia, em 1985, para ser director, e perdi essa oportunidade porque o Governo caiu entretanto e o novo poder tinha outras ideias. O Adriano Cerqueira deixou o cargo, como já estava previsto, e ficou apenas na RTP, tendo sido substituído na direcção da revista pelo Manuel Ricardo. Mas não ficámos inimigos, sinto também a sua morte. E de partida em partida, vou ganhando consciência de que a grande viagem já não está tão longe. A vida esgota-se.

Parece que foi ontem, Sábado, 24MAR16