Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Para Quinito, uma palavra de quem sabe como dói

“Sinto dores concretas pelas horas em que não vi os meus filhos crescer” – José Luís Peixoto, escritor, Galveias, 1974.

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Sete anos após a morte do filho, de 32, e de se ter afastado do futebol, o ex-jogador e técnico Quinito – uma das personalidades mais lúcidas e menos cinzentas que conheci na minha carreira desportiva – deixou-se homenagear pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol. E lembrou a sua perda em palavras carregadas de emoção: “Tive um menino maravilhoso que na realidade não conheci, o futebol saiu-me caro”.

Emocionei-me ao ouvi-lo, eu que há 44 anos o entrevistei para o Diário de Lisboa e o guardei num cantinho da memória. Quinito jogava então no Belenenses – esteve no Restelo de 1969 a 1975 até rumar a Espanha para actuar no Racing de Santander – e tinha só 23 anos. O seu discurso era já o de um desalinhado: “Os clubes limitam-se a servir-se dos jogadores” – frase arrojada para a época.

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A homenagem da Associação de Treinadores e a presença de Quinito em Leiria, para assistir ao Portugal-Bélgica, podem ter marcado o seu regresso à luta. Porque meu caro Quinas, de um homem que perdeu uma filha – e que tantos momentos de crescimento e descoberta desperdiçou, ao não os partilhar com ela – para um que perdeu um filho, te digo: só há caminho para a frente. Desistir de nós seria desistir deles, seria obrigá-los a morrer duas vezes. Um forte abraço, querido amigo.

Parece que foi ontem, Sábado, 7ABR16

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