País de pobretes e alegretes

Armando Esteves Pereira dissertava anteontem, na última página, sobre o poder que alienámos ao deixarmos de ter grupos financeiros. E concluía o diretor adjunto do CM: “É em Espanha, Angola ou China que estão os verdadeiros centros de decisão deste país”. A questão que acrescento é: e merecíamos ter centros de decisão?

A PT reconheceu ter ficado a dever-se a um erro humano o recente apagão que acarretou prejuízos incalculáveis a várias empresas, entre as quais a Cofina, cujos sites perderam milhões de pageviews. E lia-se, também no CM, que a Força Aérea Portuguesa tem em terra, por um atraso na chegada de peças, oito (!) dos 12 helicópteros Merlin.

Com um Governo impopular, um ex-primeiro-ministro detido, os bancos no vermelho, as urgências entupidas e os negócios encalhados resta-nos o quê? Talvez os 1,24 milhões de espectadores do “Preço Certo”, em quarto lugar no top de audiências, ao fim de uma década de competência. O poder lúdico dos pobretes e alegretes é que ninguém nos tira.

Antena paranoica, CM, 21FEV15

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