Os suicidas do alargamento

 

Devo começar por um “mea culpa”: já fui um entusiasta do alargamento das ligas profissionais. Parecia-me ser esse um caminho que poderia ajudar a contrariar a diminuição crescente das receitas que atacou o futebol antes de corroer todos os negócios do país. Tendo as 10 melhores equipas da segunda liga, que jogam para subir de escalão, um nível semelhante às 10 piores da primeira liga, que lutam para não descer de divisão, o aumento do número de clubes nos campeonatos profissionais traria mais confrontos, preencheria mais datas, proporcionaria mais receitas.

O problema é que a crise em que vivemos acentuou o afastamento dos espectadores dos estádios e essas duas dezenas de equipas medianas – que serão 30 nos novos moldes – têm pouca capacidade para chamar mais gente às bancadas e, logo, poucas ou nenhumas hipóteses de compensar com receitas o significativo incremento que vão dar às suas despesas. São novas e maiores angústias que se anunciam nos orçamentos.

Na liga principal, a média de assistências nos jogos em casa das 10 equipas com menor número de adeptos não vai além dos 3 mil espectadores, situação com tendência para piorar e que mais se agravará com o aumento do número de partidas entre opositores da idêntica dimensão.

Por outro lado, na liga secundária, a provável participação de 22 (!) emblemas, com a peregrina repetição do erro financeiro que são as equipas B – com mais salários para pagar e mais viagens de norte a sul, e a cruzar o Atlântico – não combaterá a desertificação das plateias e acabará por constituir um peso insuportável para as tesourarias de clubes e SAD’s, que se afundarão ainda mais depressa, arrastando consigo outros agentes do sector.

Nem o triste caso da U. Leiria faz parar para pensar estes suicidas que não sabem fazer contas – e não conseguem aprender.

 

Devo começar por um “mea culpa”: já fui um entusiasta do alargamento das ligas profissionais. Parecia-me ser esse um caminho que poderia ajudar a contrariar a diminuição crescente das receitas que atacou o futebol antes de corroer todos os negócios do país. Tendo as 10 melhores equipas da segunda liga, que jogam para subir de escalão, um nível semelhante às 10 piores da primeira liga, que lutam para não descer de divisão, o aumento do número de clubes nos campeonatos profissionais traria mais confrontos, preencheria mais datas, proporcionaria mais receitas.
O problema é que a crise em que vivemos acentuou o afastamento dos espectadores dos estádios e essas duas dezenas de equipas medianas – que serão 30 nos novos moldes – têm pouca capacidade para chamar mais gente às bancadas e, logo, poucas ou nenhumas hipóteses de compensar com receitas o significativo incremento que vão dar às suas despesas. São novas e maiores angústias que se anunciam nos orçamentos.
Na liga principal, a média de assistências nos jogos em casa das 10 equipas com menor número de adeptos não vai além dos 3 mil espectadores, situação com tendência para piorar e que mais se agravará com o aumento do número de partidas entre opositores da idêntica dimensão.
Por outro lado, na liga secundária, a provável participação de 22 (!) emblemas, com a peregrina repetição do erro financeiro que são as equipas B – com mais salários para pagar e mais viagens de norte a sul, e a cruzar o Atlântico – não combaterá a desertificação das plateias e acabará por constituir um peso insuportável para as tesourarias de clubes e SAD’s, que se afundarão ainda mais depressa, arrastando consigo outros agentes do sector. Nem o triste caso da U. Leiria faz parar para pensar estes suicidas que não sabem fazer contas – e não conseguem aprenderDevo começar por um “mea culpa”: já fui um entusiasta do alargamento das ligas profissionais. Parecia-me ser esse um caminho que poderia ajudar a contrariar a diminuição crescente das receitas que atacou o futebol antes de corroer todos os negócios do país. Tendo as 10 melhores equipas da segunda liga, que jogam para subir de escalão, um nível semelhante às 10 piores da primeira liga, que lutam para não descer de divisão, o aumento do número de clubes nos campeonatos profissionais traria mais confrontos, preencheria mais datas, proporcionaria mais receitas.O problema é que a crise em que vivemos acentuou o afastamento dos espectadores dos estádios e essas duas dezenas de equipas medianas – que serão 30 nos novos moldes – têm pouca capacidade para chamar mais gente às bancadas e, logo, poucas ou nenhumas hipóteses de compensar com receitas o significativo incremento que vão dar às suas despesas. São novas e maiores angústias que se anunciam nos orçamentos.Na liga principal, a média de assistências nos jogos em casa das 10 equipas com menor número de adeptos não vai além dos 3 mil espectadores, situação com tendência para piorar e que mais se agravará com o aumento do número de partidas entre opositores da idêntica dimensão.Por outro lado, na liga secundária, a provável participação de 22 (!) emblemas, com a peregrina repetição do erro financeiro que são as equipas B – com mais salários para pagar e mais viagens de norte a sul, e a cruzar o Atlântico – não combaterá a desertificação das plateias e acabará por constituir um peso insuportável para as tesourarias de clubes e SAD’s, que se afundarão ainda mais depressa, arrastando consigo outros agentes do sector. Nem o triste caso da U. Leiria faz parar para pensar estes suicidas que não sabem fazer contas – e não conseguem aprender.

Canto direto, publicado na edição impressa de Record de 5 maio 2012

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