Os rios só correm para o mar (editorial de Record)

 
Resolveram rasgar o acordo,
mas não podem apagar
o que ficou feito, não conseguem
desmentir o que aconteceu

A importância de Record está bem expressa na ferocidade com que alguns alienígenas – que não compram jornais e que se limitam a alimentar, com a informação gratuita online, o seu fanatismo e os seus ódios irracionais – tentam demonstrar (?), sempre insultando, que errámos ao noticiar o acordo entre o Sporting e Villas-Boas, acordo que, a ser cumprido, faria do treinador o próximo responsável técnico pelos leões.

Record não inventou. Descobriu a existência desse compromisso e divulgou-o – como lhe competia. Foi o primeiro órgão de informação a fazê-lo, sendo seguido a conta-gotas por todos os outros, alguns dando-se até ao luxo de apresentar a “novidade” como consequência de profunda investigação própria. Se Record se tivesse enganado, e não enganou, estaria bem acompanhado. Aliás, quando Record erra, assume os erros, apresenta desculpas e não sente vergonha desse “mea culpa”, pelo contrário, considera-o um ponto de honra. É um sinal de humildade e de respeito pelos leitores que, infelizmente, poucos adotam em Portugal.

Nada há, portanto, para desmentir. Em 6 de Março último, o acordo Sporting-Villas-Boas não era uma hipótese, uma miragem, um delírio – existia, mesmo. E pode existir ainda e vir a concretizar-se, embora pareça hoje que o treinador roeu definitivamente a corda, “desviado” por um projeto talvez menos arriscado e por certo melhor remunerado.

Isso quer dizer que não havia acordo nenhum? Não, o que isso significa, apenas, é que as partes envolvidas resolveram rasgá-lo. Mas o que não podem fazer, o que não conseguem – porque não é possível pôr os rios a correr para as nascentes – é apagar o que ficou feito, é desmentir o que aconteceu. E se aconteceu, Record publicou.

O que vem a seguir, e que resulte seja dos interesses dos empresários, das hesitações dos presidentes, dos jogos de poder de dirigentes acabados de sair da casca, ou da ambição desmedida e da falta de caráter de profissionais endeusados antes de prestarem provas – e nada disso se verificou neste caso, obviamente – são já contas de outro rosário e dará origem a novas notícias. E só o que ainda não tiver acontecido é que Record não publicará.

Editorial, publicado na edição impressa de Record de 7 abril 2010

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