Colunista do "Record" e do "Correio da Manhã", anarco-individualista e adepto do Belenenses e do Real Madrid, Alexandre Pais foi diretor do "24horas", de 2001 a 2003, e do "Record", de 2003 a 2013, tendo iniciado o seu percurso jornalístico no "Mundo Desportivo", em 1964.

Os palavrões estão na moda

De espíritos sensíveis ou de pessoas
apenas educadas são provenientes os protestos nas redes sociais por causa do
sujo palavreado da “famosa” Fanny, regressada à “Casa dos Segredos” como boa filha que é. Curiosa a
origem da “revolta”: ela nasce logo nos micro-sites conhecidos pelo uso desbragado
do verbo e onde ainda há dias uma chusma de destemperados aproveitava o
internamento hospitalar de Mário Soares para o insultar da forma mais cobarde e mais miserável.

Em matéria de javardice, há na redação de Record uma boa dezena de jornalistas especializados. Não por lhes faltar a educação mas por terem a penosa tarefa diária de apagar da página do jornal no Facebook – ou de não validar no Record Online – centenas de comentários carregados de ódio e da linguagem mais abjeta.

O fenómeno da ordinarice não é
novo Já há 40 anos, na redação do “Diário de Lisboa”, se falava “mal”. Hoje, no
Record, o palavrão é utilizado com alguma parcimónia. Não por preconceito contra a
“liberdade” de expressão, mas porque devemos ter limites e respeitar-nos uns aos outros. Mesmo sabendo que nas
“casas dos segredos” desta vida existe gente muito frustrada, milhões de desesperados
que precisam de uma válvula de escape.

Que não mordam a língua!

Antena paranóica, publicado na edição impressa do Correio da Manhã de 19 janeiro 2013