Os painéis servem as vaidades, não o futebol – por Alberto Rosário

É triste a violência no futebol. Todos os responsáveis, quando questionados, repudiam este flagelo, e pronto, ficam as consciências tranquilas. Pilatos lava as mãos. No real, a coisa muda e atiram, por palavras e atos, a tudo o que mexe, antes e depois dos jogos, como se fossem inimigos medievais, na melhor versão.

Para aprimorar, os painéis semanais de três canais de televisão são “frenesis clubísticos” a atiçar feras em circos romanos. Há exceções, que só confirmam a regra. Os painéis têm audiência e servem vaidades – a terrível atração pelo “quadradinho luminoso” – mas não servem o futebol.

Levantam a parte má das paixões. E é retórica negra, incendiária, contrapor a atos de violência atuais os do passado, como todos já ouvimos.

Futebol com violência não é prazer, alegria e paixão, vividos com família e amigos, como deve ser. É o agrupar de tribos para o combate, com a bandeira dos clubes como estandarte.

Façam, gente do futebol, um ato de contrição e salvem o futuro, indicando, com firmeza, o sentido do fim da violência. À justiça e às forças da ordem, o que lhes compete é tempo. Deixem-nos ir ao futebol em paz!

Bilhar grande, publicado na edição impressa de Record de 20 abril 2011

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